RQE em Medicina Intensiva: Quantos Intensivistas Há

RQE em Medicina Intensiva: Quantos Intensivistas Há

Última verificação normativa: 26 de setembro de 2026

O RQE em Medicina Intensiva, o Registro de Qualificação de Especialista nessa especialidade, estava em 2024 no nome de 10.412 médicos no Brasil, 4,90 para cada 100 mil habitantes, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025), Atlas de Especialidades, p. 404.

O número que distingue a especialidade, porém, é outro. Seis em cada dez intensivistas chegaram ao título só pela prova de sociedade médica, sem residência. E a residência na especialidade foi a que mais cresceu no país desde 2018.

Este artigo descreve esse retrato com a página da fonte em cada número. Não é conselho de carreira nem previsão de mercado: a Demografia Médica no Brasil 2025 não traz renda nem demanda por especialidade, e o texto não vai além do que ela sustenta.

Quantos médicos têm RQE em Medicina Intensiva no Brasil

São 10.412 médicos com título de especialista em Medicina Intensiva, conforme a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 404). A mesma página traz os outros dois indicadores de escala:

  • 4,90 especialistas por 100 mil habitantes, a razão nacional;
  • 2,2% do total de especialistas do país.

Na Tabela 3 do mesmo relatório (p. 205), a Medicina Intensiva aparece como a 14ª especialidade em número de títulos, entre as 55 reconhecidas. Ela fecha o que a fonte chama de “segundo bloco intermediário” (p. 204), ao lado de Medicina do Trabalho, Oftalmologia, Medicina de Família e Comunidade, Radiologia, Psiquiatria e Dermatologia. O ranking completo das 55 está no panorama geral do RQE no Brasil.

Há uma ressalva de contagem. Os 10.412 intensivistas correspondem a 11.432 registros, porque 1.020 deles (9,8%) estão inscritos em mais de um CRM (Conselho Regional de Medicina), segundo a mesma página 404. Quem conta pessoas usa 10.412; quem soma registros de CRM por UF (Unidade da Federação) chega a 11.432.

Exemplo concreto. Numa capital de 1 milhão de habitantes, a razão nacional corresponderia a cerca de 49 médicos com RQE em Medicina Intensiva. É uma conta de escala, não o número real de nenhuma cidade: a distribuição é desigual, como mostra a seção sobre onde estão os intensivistas.

Como chegaram ao RQE em Medicina Intensiva: 60,9% só pela via AMB

A maioria dos intensivistas obteve o título só pela prova de sociedade médica filiada à AMB (Associação Médica Brasileira), sem ter concluído residência. A Tabela 5 da Demografia Médica no Brasil 2025 (p. 210) traz os números absolutos, cruzando a base da AMB com a da CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica, vinculada ao MEC, Ministério da Educação):

Origem do título dos 10.412 intensivistas: AMB exclusivo, Ambas e CNRM exclusivo (Demografia Médica no Brasil 2025, Tabela 5, p. 210)
Origem do títuloMédicos%
AMB exclusivo (prova de título, sem residência)6.34560,9%
Ambas (residência e sociedade da AMB)3.43733,0%
CNRM exclusivo (residência, sem sociedade da AMB)6306,1%
Total10.412100%

As três categorias são definidas pela própria fonte (p. 208-209):

  • CNRM exclusivo: o médico se tornou especialista só pela conclusão de residência em programa credenciado pela CNRM e não integra uma sociedade da AMB.
  • AMB exclusivo: o médico obteve o título numa sociedade de especialidade da AMB e não concluiu residência.
  • Ambas: o médico concluiu residência e também é membro de sociedade de especialidade da AMB. Não é “nenhuma das duas vias”: é as duas ao mesmo tempo.

A comparação com o país mostra o peso da prova de título. No total de 477.155 títulos, a fatia AMB exclusivo é de 36,3%, a de Ambas é de 54,4% e a de CNRM exclusivo é de 9,3% (p. 209). Entre os intensivistas, a via AMB exclusiva é 24,6 pontos percentuais maior que a média nacional.

Ainda assim, ela não está entre as especialidades em que a prova de título é praticamente a única via, todas acima de 96% (veja as 6 especialidades onde o RQE é só por prova de título). A especialidade fica num meio-termo: maioria pela prova, com uma parcela relevante vinda da residência.

Exemplo concreto. Em cada 10 intensivistas com título, cerca de 6 fizeram só a prova da sociedade, 3 têm residência e sociedade, e menos de 1 tem só a residência. Quem quer entender a jornada da prova de título na especialidade encontra o passo a passo no hub de Medicina Intensiva do eumedicoespecialista, site irmão deste. Aqui o assunto é o registro, não a prova.

Quem são os intensivistas: sexo e idade

Entre os intensivistas, a maioria masculina é estreita: 52,1% homens e 47,9% mulheres, segundo o Atlas de Especialidades (p. 404).

Para a idade, a referência é a Tabela 8 da Demografia Médica no Brasil 2025 (p. 218):

  • Média de idade: 48,6 anos, com desvio padrão de 11,2;
  • 55 anos ou mais: 2.998 médicos, 28,8% dos intensivistas;
  • 35 anos ou menos: 989 médicos, 9,5%;
  • Razão R55/35 (médicos com 55 anos ou mais divididos pelos com 35 anos ou menos): 3,0.

Na linha Total da mesma tabela, a média de idade dos especialistas é de 48,8 anos. Os intensivistas têm, portanto, idade média praticamente igual à nacional.

Uma nota de método. A página do atlas (p. 404) imprime “60,9 (±12,6)” como média de idade. O número não bate com a Tabela 8 e coincide com o percentual da via AMB exclusiva, o que indica erro de preenchimento no gráfico. Este artigo usa a tabela.

Exemplo concreto. Para cada intensivista com 35 anos ou menos, há três com 55 anos ou mais (2.998 contra 989). Uma equipe de 16 intensivistas titulados montada na proporção nacional teria cerca de 5 médicos com 55 anos ou mais e 1 ou 2 com 35 anos ou menos.

Uma especialidade em expansão: títulos +363,2% e vagas de R1 mais que triplicadas

O número de intensivistas com título passou de 2.248, em 2011, para 10.412, em 2024: 8.164 a mais, crescimento de 363,2%, segundo a Tabela 6 da Demografia Médica no Brasil 2025 (p. 212). É a 8ª maior taxa entre as 55 especialidades, bem acima dos 154,0% do total de especialistas no mesmo período. O ranking completo está em especialidades que mais cresceram em RQE.

A residência cresceu ainda mais rápido. As vagas de R1 (primeiro ano de residência) ocupadas em Medicina Intensiva foram de 178, em 2018, para 610, em 2024, segundo a Tabela 4 do capítulo de residência (p. 152-153):

Vagas de R1 ocupadas em Medicina Intensiva de 2018 a 2024 (Demografia Médica no Brasil 2025, Tabela 4 do capítulo de residência, p. 152-153)
Ano2018201920202021202220232024
Vagas de R1 ocupadas178188191217509549610

São 432 vagas a mais, alta de 242,7%, o maior crescimento proporcional entre as especialidades. No total do país, o R1 ocupado cresceu 19,9% no mesmo intervalo. A fonte dá a explicação (p. 151): a alta de vagas ocupadas a partir de 2022 reflete a mudança na matriz de competências, pela qual a especialidade se tornou de acesso direto e teve a duração do programa alterada. Em 2024, eram 1.602 residentes na especialidade, somados todos os anos do programa (Tabela 3 do capítulo de residência, p. 150).

O efeito disso no estoque ainda não aparece. Os 60,9% de títulos só pela via AMB são o retrato de 2024, formado por médicos que se titularam ao longo de décadas, antes da virada de 2022.

Duas ressalvas da própria fonte. A especialidade está entre as “apontadas por gestores públicos como deficitárias quanto ao número de profissionais disponíveis para contratação” (p. 204). Mas a Demografia Médica também afirma que “não é possível, com os dados do estudo, afirmar se o atual número de especialistas é suficiente ou não em cada especialidade” (p. 212). Uma coisa é a percepção dos gestores; outra é medida de suficiência, que o estudo não fez.

Exemplo concreto. A turma de R1 de 2024, com 610 residentes, é maior que as turmas de 2018, 2019 e 2020 somadas (557). O salto aconteceu em um único ano: de 217, em 2021, para 509, em 2022.

Onde estão os intensivistas no Brasil

Mais da metade dos intensivistas está no Sudeste, e seis em cada dez estão em capitais, segundo o Atlas de Especialidades (p. 404). Por região:

  • Sudeste: 51,9%
  • Sul: 19,1%
  • Nordeste: 15,3%
  • Centro-Oeste: 10,0%
  • Norte: 3,7%

Por porte de município, a mesma página registra 59,8% nas capitais, 17,5% no interior com mais de 300 mil habitantes, 22,4% no interior entre 100 mil e 300 mil habitantes e 0,3% no interior com até 100 mil habitantes.

O Sul aparece à frente do Nordeste. Este dado vem só do atlas; não há tabela numérica por especialidade e região no relatório para conferência cruzada. Para a distribuição de todos os especialistas pelas 27 UFs, veja médicos especialistas por estado.

Exemplo concreto. Aplicados aos 10.412 intensivistas, os 3,7% do Norte equivalem a cerca de 385 médicos na região inteira, e os 0,3% do interior com até 100 mil habitantes, a cerca de 31 médicos no país inteiro. O dado é de registro de título, não de leito ou de plantão: ele não mede onde há UTI (Unidade de Terapia Intensiva) nem quem trabalha em cada uma.

Outros títulos dos intensivistas, e por que a Medicina Intensiva Pediátrica fica fora da conta

Boa parte dos intensivistas tem outro título de especialista. Os mais frequentes, segundo a tabela de outros títulos do Atlas de Especialidades (p. 404), são:

  • Clínica Médica: 4.285 (41,2% dos intensivistas);
  • Pediatria: 3.520 (33,8%);
  • Cardiologia: 1.501 (14,4%);
  • Cirurgia Geral: 575; Nefrologia: 340; Pneumologia: 310; Anestesiologia: 301.

Essas linhas não se somam: um mesmo médico pode ter três ou quatro títulos. Como funciona o acúmulo de registros no CRM está em médico com mais de um RQE.

A dupla Cardiologia e Medicina Intensiva ganhou peso regulatório recente. A Resolução CFM nº 2.422/2025, do CFM (Conselho Federal de Medicina), passou a exigir RQE em Medicina Intensiva para a responsabilidade técnica de UTI coronariana. O detalhe está em cardiointensivismo como área de atuação.

Agora, a separação necessária. Medicina Intensiva Pediátrica não é especialidade: é área de atuação, outra certificação, que exige título anterior em uma especialidade (p. 206). A Tabela 4 de áreas de atuação (p. 206) registra 2.698 médicos certificados nela, a 3ª maior da tabela. Esses 2.698 não fazem parte dos 10.412 e não podem ser somados a eles. Quais especialidades dão acesso a essa área está em RQE de área de atuação.

Exemplo concreto. Uma pediatra com certificado nessa área de atuação, sem título de especialista em Medicina Intensiva, entra na conta dos 2.698, não na dos 10.412. Já um intensivista que também tem título em Pediatria está entre os 3.520 da tabela de outros títulos, que é outro dado.

Conclusão

O retrato de quem tem RQE em Medicina Intensiva no Brasil, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025), tem dois movimentos. O estoque de 10.412 especialistas foi construído sobretudo pela prova de título: 60,9% não passaram pela residência. A formação, por outro lado, virou: com a especialidade de acesso direto, as vagas de R1 ocupadas saltaram a partir de 2022 e mais que triplicaram até 2024.

O relatório não permite dizer se esses números bastam, nem o que o estoque será daqui a alguns anos, e este artigo não faz essa projeção. Para comparar a especialidade com as outras 54 especialidades, veja o panorama geral do RQE no Brasil. Para a prova de título, o caminho é o hub de Medicina Intensiva do eumedicoespecialista.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta às normas oficiais do CFM e da AMB. Dados conferidos na fonte em 26/09/2026.

Perguntas frequentes

Quantos intensivistas tem no Brasil?

São 10.412 médicos com título de especialista em Medicina Intensiva, 4,90 por 100 mil habitantes e 2,2% de todos os especialistas do país, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 404). O número conta pessoas. Somando inscrições em mais de um CRM, são 11.432 registros.

A maioria dos intensivistas fez residência?

Não. Pela Tabela 5 da Demografia Médica no Brasil 2025 (p. 210), 6.345 intensivistas (60,9%) obtiveram o título só pela prova de sociedade da AMB, sem residência. Outros 3.437 (33,0%) têm residência e sociedade, e 630 (6,1%) têm só a residência credenciada pela CNRM.

Medicina Intensiva é acesso direto na residência?

Sim. A Tabela 3 do capítulo de residência da Demografia Médica no Brasil 2025 (p. 150) a classifica como especialidade de acesso direto, e o texto da p. 151 atribui a essa mudança, e à nova matriz de competências, a alta de vagas a partir de 2022. As vagas de R1 ocupadas foram de 178, em 2018, para 610, em 2024, alta de 242,7%, a maior entre as especialidades.

Medicina Intensiva Pediátrica é especialidade?

Não. É área de atuação, certificação que exige título anterior em uma especialidade. A Tabela 4 de áreas da Demografia Médica no Brasil 2025 (p. 206) registra 2.698 médicos certificados nela. Eles não fazem parte dos 10.412 especialistas em Medicina Intensiva e não devem ser somados a eles.

Qual a idade média dos intensivistas no Brasil?

A idade média é de 48,6 anos, com desvio padrão de 11,2, segundo a Tabela 8 da Demografia Médica no Brasil 2025 (p. 218). São 2.998 intensivistas (28,8%) com 55 anos ou mais e 989 (9,5%) com 35 anos ou menos, três veteranos para cada jovem.